sexta-feira, 19 de junho de 2009

Roubando a Deus

Laço é para o homem apropriar-se do que é santo, e só refletir depois de feitos os votos. Provérbios 20.25


Quando se fala em roubar a Deus, logo somos transportados para o texto de Malaquias 03.08: “Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas”.
O texto é claro não resta dúvidas e ponto final. Mas e os versos anteriores e posteriores? Todo o texto se resume apenas neste verso? Será que o homem só rouba a Deus somente quando não entrega seus dízimos e suas ofertas? Será que Deus, se importa tanto com os nossos 10% a ponto de nos acusar de ladrões? Será que Deus deseja tanto assim minha oferta, afim de quer me amaldiçoar se eu não a entregar?
Tenho prazer em ler a Bíblia e admiro quanto os estudantes põe na mesa, debates proveitosos a respeito das coisas de Deus. No entanto, não sou favorável aos dogmas que a igreja criou, usando o nome de Deus. Deus não precisa de defesa. Ninguém consegue sondar os pensamentos de Deus e nem tampouco seus caminhos como pois queremos defendê-lo? (Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR; Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos – Isaías 55.8,9)
Li o texto de Malaquias várias vezes e não consegui encontrar a conotação que muitos “ministros” usam hoje em dia a respeito desse verso. De novo, se cai no infindável troca-troca. Mostramos o que temos: o dízimo e as ofertas. E queremos o que Deus tem: as bênçãos. É a famosa barganha.
Mas você pode questionar e dizer: Mas é Deus que acusa e povo e pede para este mesmo povo entregar o dízimo e as ofertas e fazerem prova dele. Então porque Deus iria pedir se ele não quisesse? Porque Ele iria falar se não fosse cumprir?
O fato é simples. O que Deus estava cobrando do povo não era os dízimos (10%) e as ofertas, mas sim a justiça e a verdade do povo. O povo tinha um compromisso com Deus de sustentar o templo e os sacerdotes e não estavam cumprindo com esse compromisso. Os sacerdotes eram separados para cuidarem exclusivamente do templo. Por isso, eles (o povo) não estavam sendo justos.
O povo há tempos não oferecia ofertas pelos seus pecados. E manchado pelo pecado o povo está distante de Deus. Traziam ao sacrifício animais defeituosos (cegos e mancos) para oferecer a Deus (Porque, quando ofereceis animal cego para o sacrifício, isso não é mau? E quando ofereceis o coxo ou enfermo, isso não é mau? Ora apresenta-o ao teu governador; porventura terá ele agrado em ti? ou aceitará ele a tua pessoa? diz o SENHOR dos Exércitos- Malaquias 01.08). O povo estava roubando a Deus. Estava usando de perfídia.
A queixa de Deus com o povo era pelo seu completo desapego com os mandamentos, violando a lei através de atos como roubo no salário, aflição a viúvas... ou seja, o povo não estava sendo verdadeiro. (E chegar-me-ei a vós para juízo; e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o diarista em seu salário, e a viúva, e o órfão, e que pervertem o direito do estrangeiro, e não me temem, diz o SENHOR dos Exércitos. – Malaquias 03.05)
Nos capítulos anteriores, observe as seguintes queixas de Deus:
Eu vou tenho amado. Mas vos dizeis: Em que nos tem amado? (cap.1.2)
Onde está minha honra? Onde está meu temor? Vos desprezais o meu nome e dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome? (cap.1.6)
Ofereceis pão imundo. E dizeis: em que te havemos profanado? (cap.1.7)
Enfadais o Senhor com vossas palavras. E ainda dizeis: em que te enfadamos? (cap.2.17)
Desviastes dos meus caminhos... e dizeis: em que havemos de tornar? (cap.3.7)
Todavia vos me roubais e dizeis: em que te roubamos? (cap.3.8)
Proferem palavras agressivas contra mim. E dizeis: que temos falado contra ti? (cap.3.13)

O povo abandonou a Deus, quebrou sua aliança, profanou o templo, desprezou o nome de Deus, chateava a Deus, estava desviado dos caminhos dele e ainda proferiam palavras agressivas contra Ele. Será possível ignorar isso tudo e não avisar ao povo? Será que é possível ignorar todo o texto e se apegar apenas a uma dessas questões e afirmar que o roubo está apenas nos dízimos e nas ofertas? Então se eu “dou meu dízimo e minhas ofertas” é o suficiente para que eu alcance favores de Deus? E onde fica a justiça, a integridade e a adoração? Será mesmo que Deus não se importa com isso? Se só os dízimos e as ofertas bastam, então pra que a morte de Cristo?
O problema não é o ato de ofertar ou dizimar. É o fato de muitos acharem que isso é uma regra e que basta para alcançarem as bênçãos de Deus. Provérbios 21.03 diz: Fazer justiça e juízo é mais aceitável ao SENHOR do que sacrifício. De que adianta dizimar um milhão e espancar o meu próximo? Deus se agrada disso? De que adianta ofertar e pedir perdão, se eu estou em desavença com meu irmão? A estrada do Pai-Nosso é uma pista de mão dupla que diz: “...perdoai as NOSSAS ofensas, assim como NÓS PERDOAMOS aquele que tem nos ofendido...”
Pergunto de novo: Deus é roubado apenas nos dízimos e nas ofertas? De maneira alguma. Para muitos uns dos piores crimes é o roubo. Então eu vos digo:
Quando dizemos que amamos e não o fazemos, estamos roubando um lugar no coração de alguém que não é nosso.
Quando desprezamos ou ofendemos alguém, estamos roubando sua alegria.
Quando mentimos, estamos roubando a verdade;
Quando matamos, estamos roubando uma vida;

E quando nos afastamos de Deus, estamos roubando de nós mesmos, o direito a vida eterna. Pense nisso.

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